Trabalho escravo contemporâneo, fruto do capitalismo

Leonardo Sakamoto Fotos: Leonardo Sakamoto, STRTE-PA/Divulgação y MTE/ Divulgação

Trabalhador resgatado

Comparte:
  •  
  •  
  •  
  •  

São Paulo, Brasil. A cada ano, milhares de trabalhadores rurais vindos de regiões pobres do país são obrigados a trabalhar em fazendas e carvoarias. Submetidos a condições degradantes de serviço e impedidos de romper a relação com o empregador, eles permanecem presos até que terminem a tarefa para a qual foram aliciados, sob ameaças que vão de torturas psicológicas a espancamentos e assassinatos. No Brasil, essa forma de exploração é chamada de escravidão contemporânea, nova escravidão, ou, ainda,trabalho análogo ao escravo.

Sua natureza econômica difere da escravidão da Antiguidade clássica e da escravidão moderna, mas o tratamento desumano, a restrição à liberdade e o processo de “coisificação” são similares. O número de trabalhadores envolvidos é relativamente pequeno, porém não desprezível: de 1995 – quando o sistema de combate ao trabalho escravo contemporâneo foi criado pelo governo federal – até agora, cerca de 40 mil pessoas foram encontradas nessa situação, de acordo com dados da
Comissão Pastoral da Terra.

A incidência de escravidão contemporânea na cana, no gado, na produção de soja, milho, arroz, feijão, algodão, frutas, na extração de madeira, na fabricação de carvão vegetal está concentrada nas regiões de expansão agropecuária da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal. Contudo, há casos confirmados nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, o que demonstra que a origem desse fenômeno não está vinculada apenas à fronteira agrícola, mas a outro elemento que perpassa realidades sociais diferentes. Que elemento é este? O que garante que práticas que pareciam extintas, vinculadas a relações de trabalho que aparentemente foram destruídos pelo avanço do capital, continuem existindo?

Os relatórios de fiscalização do Ministério do Trabalho mostram que os empregadores envolvidos nesse tipo de exploração não são pequenos sitiantes isolados economicamente do restante da sociedade, mas na maioria das vezes, latifundiários, muitos deles produzindo com tecnologia de ponta. Afinal, não importa que a fazenda esteja escondida no meio da fronteira agrícola, ela estará conectada pelo comércio ao sistema global e dele dependente. Prova disso são as pesquisas de cadeias produtivas da ONG Repórter Brasil realizadas desde 2003: elas mostram como mercadorias produzidas em propriedades que utilizaram mão-de-obra escrava são vendidas para a indústria e o comércio dentro e fora do Brasil.


Comparte:
  •  
  •  
  •  
  •  

Etiquetas: , ,

2 Respuestas a “Trabalho escravo contemporâneo, fruto do capitalismo”

Dejar una Respuesta

Relacionados

foto: Gesica Lima / Resumen Latinoamericano
El Grito de los Excluidos en Brasil: “este s...

Sep 11 por Admin 3


Comparte:    Hace 22 años el Grito de los excluidos surgía en las calles de todo Brasil, el pueblo salió  libremente desde entonces a  denunciar y reivindicar sus derechos. Una vez más, después de 22 años,  la manifestación se llevó a cabo el día en que Brasil conmemoró su independencia: el 7 de septiembre. Este año, la […]


Comparte:
  •  
  •  
  •  
  •  
movimientos-jovenes-brasil-3
“Nuestra rebeldía es el pueblo en el poder”: ...

Sep 8 por Admin 3


“El golpe parlamentario llevó al poder un gobierno que tiene como perspectiva el fortalecimiento de los agronegocios en contra de los campesinos e indígenas que han perdido la paciencia ante las amenazas a los derechos conquistados y a nuestra lucha”: María Cazé, coordinadora del Movimiento de los Pequeños Agricultores.


Comparte:
  •  
  •  
  •  
  •  
Brasil Gerardo
La historia de Brasil se partió en dos

Sep 4 por Admin 3


Luego de 112 días de farsa jurídica, el trabajo sucio en la estocada final lo asumieron los 61 senadores que eligieron colgarse la mochila eterna del golpismo a cambio de un puñado de favores para sus negociados. Misma tragicomedia que habían protagonizado 367 diputados aquel 17 de abril. En buena parte de ellos, la prebenda pasa también por una eventual inmunidad judicial: 41 de los 81 senadores y casi un tercio de los diputados está salpicado en casos de corrupción.


Comparte:
  •  
  •  
  •  
  •  
foto: Rubén Luengas
“Hoy la resistencia apenas comienza”: movi...

Sep 1 por Admin 3


Mientras el Senado consumaba la destitución de la presidenta electa Dilma Roussef, en las calles los movimientos sociales manifestaban su repudio al mismo: ”Hoy la resistencia apenas comienza. En las calles y en las instituciones. En los locales de estudio, trabajo y vivienda y antes de lo que piensan, el pueblo brasileño retomará el camino”.


Comparte:
  •  
  •  
  •  
  •