Brasil en Rojo

Spensy Pimentel

¿Una nueva oportunidad?

Foto: Adonis Guerra

Ciudad de México | Desinformémonos. En un proceso que sutilmente se inició en 2013 y se ha agravado desde 2015, la izquierda brasileña ha recibido en bloque una condena brutal de parte significativa de la población, sin apelación. Los más radicales incluso embarcaron en una ola “anticomunista”, a poner en la misma bolsa grupos tan diversos como el movimiento indígena, el PT o las feministas. Hasta el impeachment de 2016, en esta “caza al izquierdismo”, era común tener informes de personas acosadas o incluso agredidas en las calles simplemente por usar una camisa roja. Importaba poco decir que uno era de izquierda, pero que no apoyaba el PT – era casi imposible no caer en la fosa común de “la culpa es de ustedes, que nos hicieron llegar a esta situación.”

La situación ha llevado a muchos al desaliento, y empeoró en los primeros meses del gobierno golpista de Michel Temer, cuando medidas legislativas profundamente perjudiciales para los derechos sociales fueron aprobadas en el Congreso con gran facilidad. Era como si la izquierda en realidad hubiera sido aniquilada – una impresión confirmada en noviembre y diciembre, cuando se votó rápidamente la notoria PEC 55 o 241, que limita la expansión del gasto público durante 20 años.

Este miércoles, 15 de marzo, la izquierda brasileña parece haber sido tomada de un ánimo que no se ha visto mucho en los últimos tiempos. El reciente anuncio de una propuesta de reforma del sistema público de Seguridad Social, así como el contorno de una reforma laboral, fueron suficientes para generar una ola de indignación entre los trabajadores, que se expresó en grandes manifestaciones en las calles en las principales ciudades de norte a sur del país, así como protestas más pequeñas en todo el interior.

Distinto de lo que pasó con la críptica PEC 241, la reforma de la Seguridad Social deja muy claros sus efectos directos sobre los trabajadores. Entre los puntos centrales de la propuesta están la imposición de una edad mínima de 65 años para la jubilación – en un país con alta desigualdad, donde miles de campesinos comienzan a trabajar antes de los 15 años de edad – y la imposición de hasta 49 años de contribución para obtener a la concesión del beneficio de 100%. Una conocida revista de economía, supuestamente para apoyar la reforma, llegó a estampar en su cubierta la foto del cantante de rock Mick Jagger, con un texto que era más o menos el siguiente: “Al igual que él, tendrás que trabajar en la vejez. La buena noticia: con la debida preparación para esto, ¡será algo estupendo!”. La cubierta ha generado un aluvión de chistes en Internet.

Una de las razones del optimismo de muchos observadores fue que en ciudades como Sao Paulo, grupos vestidos de verde y amarillo asistieron a las manifestaciones junto a los militantes que tradicionalmente vienen a las calles con sus playeras de color rojo. Los huelguistas llegaron a ser aplaudidos por la población, y varios periodistas han cosechado expresiones de apoyo a la movilización de los trabajadores, incluso de gente que no participaba en los actos – incluso personas que no pudieron entrar a trabajar por la falta de transporte público o en calles bloqueadas, por ejemplo. Parece que ha hecho una diferencia otro factor que se ha señalado como un obstáculo a la izquierda en los últimos años, el bloqueo mediático: la prueba de que, cuando la movilización tiene real fuerza, no depende de la televisión.

En resumen, la reforma de las pensiones, junto con el desgaste debido a la implicación de las principales figuras del gobierno golpista con los casos de corrupción que han sido investigados por la Justicia de Brasil, parece haber dado una nueva oportunidad a la izquierda para rehabilitarse con gran parte de la población en el país.

La gran pregunta ahora es: ¿la izquierda brasileña será capaz de escapar de las trampas que lanzaron su nombre en el lodo en los últimos años? Algunos movimientos evidencian que muchos todavía prefieren apostar a un “salvador de la Patria” a las elecciones en 2018 en lugar de reconocer que toda la crisis política desde 2015 muestra que el problema es mucho mayor. Con el grado de deterioro del sistema actual de partidos y la persistencia de un oligopolio de medios, cualquier presidente puede ser derrocado por el Congreso o los tribunales sin grandes dificultades en unos pocos meses si no se rinde al chantaje del establishment.

¿La izquierda brasileña aprovechará la nueva oportunidad o repetirá los viejos errores? Los enemigos, a su vez, siguen el juego, y, en una situación tan crítica como experimentamos, nuevos lances sorprendentes pueden suceder en cualquier momento. Incluyendo la suspensión de las elecciones de 2018, lo que eliminaría una de las últimas capas de barniz que todavía se utilizan para llamar a esta colonia con administración subcontratada llamada Brasil de “democracia”.

Uma nova chance?

Spensy Pimentel

Num processo que se iniciou sutilmente em 2013 e se acentuou a partir de 2015, a esquerda brasileira foi condenada em bloco por parte significativa da população, sem apelação. Os mais radicais embarcaram mesmo numa onda “anticomunista” que colocou no mesmo saco desde o movimento indígena até o PT e as feministas. Até o impeachment de 2016, auge nessa “caça ao esquerdismo”, foram comuns os relatos de pessoas hostilizadas ou até mesmo agredidas nas ruas pelo simples fato de vestirem uma camiseta vermelha – independente de se estar ou não apoiando o governo deposto (o qual, para boa parte da militância dos movimentos sociais, estava muito longe de ser efetivamente “de esquerda”, em função das enormes concessões que vinha fazendo à burguesia e a classe política tradicional). Pouco importava dizer-se de esquerda mas crítico ao PT – era quase impossível não cair na vala comum do “a culpa é de vocês, que nos fizeram chegar a esta situação”.

A situação levou muita gente ao desânimo, acentuando-se nos primeiros meses do governo golpista de Michel Temer, quando algumas medidas legislativas de efeito profundamente nocivo sobre os direitos sociais passaram a ser aprovadas no Congresso com grande facilidade. Era como se a esquerda tivesse sido realmente varrida do mapa – uma impressão que se confirmou entre novembro e dezembro, quando se votou de forma célere a famigerada PEC 55 ou 241, que limita a expansão de gastos públicos por 20 anos.

Pois nesta quarta-feira, 15 de maio, a esquerda brasileira parece ter sido tomada de um ânimo que há muito não se via. O recente anúncio de uma proposta de reforma da Previdência, bem como o esboço de uma reforma trabalhista, foram o suficiente para gerar uma onda de indignação entre trabalhadores, a qual se expressou em ruas lotadas nas maiores cidades de norte a sul o país, além de manifestações menores espalhadas pelo interior.

Diferente do que acontececia com a 241 – uma inovação que, como já escrevemos aqui, traveste de austera uma medida que, na verdade, muda profundamente o caráter do projeto brasileiro inscrito na Constituição de 1988 –, a reforma da Previdência tem indisfarçáveis efeitos diretos sobre grande parte dos trabalhadores. Mesmo os que têm menos acesso a informação o percebem rapidamente, pois entre os pontos centrais da proposta estão a imposição de uma idade mínima de 65 anos para aposentadoria – num país com grandes desigualdades, onde milhares de camponeses começam a trabalhar com menos de 15 anos – e a imposição de até 49 anos de contribuição para a concessão de benefício de 100%. Uma conhecida revista de economia, em reportagem supostamente de apoio à reforma, chegou a estampar em sua capa o cantor de rock Mick Jagger, com um texto que era mais ou menos o seguinte: “Assim como ele, você terá que trabalhar velhice adentro. A boa notícia: preparando-se para isso, vai ser ótimo”. A capa gerou uma enxurrada de piadas pela internet.

Um dos motivos de ânimo de vários observadores foi que, em cidades como São Paulo, grupos vestidos de verde e amarelo compareceram à manifestação lado a lado com os militantes que tradicionalmente saem de vermelho às ruas. Grevistas chegaram a ser aplaudidos pela população, e diversas reportagens colheram manifestações de apoio à mobilização por parte de trabalhadores que não participavam dos atos – mesmo gente que não conseguia chegar ao trabalho pela falta de transporte público ou pelas avenidas bloqueadas, por exemplo. Não parece ter feito diferença outro fator que vinha sendo apontado como empecilho pela esquerda, o bloqueio midiático: uma prova de que, quando a mobilização tem mesmo força, não depende de televisão.

Em suma, a proposta de reforma da Previdência, junto com o desgaste em função do evidente envolvimento das principais figuras do governo golpista com todos os processos de corrupção que vêm sendo investigados pela Justiça brasileira, parece ter concedido uma nova chance à esquerda de se reabilitar perante boa parte da população no país.

A grande questão agora é: será que a esquerda brasileira conseguirá fugir às armadilhas que lançaram seu nome na lama nos últimos anos? Alguns movimentos dão conta de que muitos ainda preferem apostar em um “salvador da Pátria” para disputar as eleições em 2018 em vez de reconhecer que toda a crise política desde 2015 mostra que o problema é muito maior. Com o grau de deterioração do atual sistema político-partidário, bem como a persistência de um oligopólio midiático, qualquer presidente pode ser derrubado pelo Congresso ou a Justiça sem grandes dificuldades em poucos meses caso não se renda às chantagens do establishment.

A esquerda brasileira aproveitará sua nova chance ou repetirá os velhos erros? Os adversários, por sua vez, continuam no jogo, e, numa tal situação crítica como a que vivemos, novos lances surpreendentes podem acontecer a qualquer momento. Inclusive a suspensão das eleições de 2018, o que removeria uma das últimas camadas de verniz que ainda se utilizam para chamar essa colônia com administração terceirizada chamada Brasil de “democracia”.

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